Eu, burramente, até bem pouco tempo, achava que uma pessoa solteira, que não seja divorciada ou viúva, aos 40, 40 e poucos tinha que ter algum defeito grave. Estou pagando a língua em 10 vezes com juros no cartão. Tenho quase 40 e vários defeitos, mas nenhum me desqualifica como mulher interessante.
Parei com isso de fazer a seleção dos defeitos e querer saber aonde eu errei, bobagem... Eu errei muito e acertei mais ainda. Somos a soma das nossas escolhas e são elas que determinam aonde vamos chegar. Me arrependo de pouquíssimas escolhas, então, não foi um erro que me trouxe até aqui, foram minhas escolhas, tenho que respeitá-las e assumi-las.
Não é anomalia nenhuma chegar ou passar dos 40 anos solteira, é mais uma quebra de paradigmas de que a "receita de bolo" para felicidade serve pra todo mundo. A vida como a moda tem manequins diferentes e, como na moda, esse tal tamanho único não existe. Felicidade é conceito subjetivo, cada um tem seu modelo que também pode mudar a todo momento, é coisa dinâmica, tipo moda mesmo.
Tudo isso não é para fazer apologia à solterice eterna, nem ao modelo tradicional traçado séculos atrás. Sou do tipo que gostaria de casar, no sentido de achar um parceiro pra vida, o que é muito mais que assinaturas em papéis, vestido branco e noivinhos sobre o bolo de três andares, isso também é legal, mas não é o principal, é complemento. O que não posso é achar que meu mundo é um fracasso porque ainda não fechei essa parceria com ninguém. Não fiz isso, mas fiz uma infinidade de outras coisas que me fizeram muito feliz.
Defeito mesmo é se machucar para caber num modelo que não te serve, tipo sapato apertado, espartilho pra entrar no vestido, adoro meu pé e respirar é vital, tô fora do espartilho aniquilador de costelas. Essa história que mulher elegante não sente frio, calor, dor no pé é mentira, aliás uma mentira deselegante. Tô mais para um estilo confortável, nem um amor e uma cabana, nem um castelo da Cinderela, um modelito sob medida que vai cair como uma luva e se acomodar bem até com os defeitos.
Não abandonei o "mito do esquisito" por conveniência, afinal eu teoricamente entrei para o time da esquisitice, abandonei porque aprendi que não existe, porque cresci, amadureci e do alto dos quase 40 não permito me culpar por não estar num padrão pré determinado.

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